Desfazendo 12 mitos sobre produtividade – Matt Perman

Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. (Ef 5.15-17)

Você entende produtividade da maneira correta? A sua abordagem para “concluir suas atividades” é enraizada no Evangelho e em suas implicações?

As coisas que eu defendo em meu livro sobre a Produtividade Centrada no Evangelho, ‘What’s Best Next?’, são baseadas nas melhores pesquisas sobre produtividade e nas Escrituras. Contudo, muitas delas podem parecer novas para você. Aqui estão os doze maiores mitos que o livro procura superar:

Mito 1: Produtividade é conseguir fazer mais atividades em menos tempo

Quando as pessoas pensam na produtividade, eles pensam em eficiência – concluir mais atividades em menos tempo. Embora a eficiência seja importante, ela é secundária. Mais importante do que a eficiência é a eficácia – concluir as atividades corretas. Eficiência é irrelevante se você está fazendo as coisas erradas em primeiro lugar.

Verdade: A produtividade tem a ver com eficácia em primeiro lugar, e não com eficiência.

Mito 2: A maneira de ser produtivo é ter as técnicas e as ferramentas adequadas.

Usar ótimas ferramentas e as melhores técnicas é muito divertido. Mas, assim como a eficiência, isto é secundário. Um dos princípios centrais da Produtividade Centrada no Evangelho é que o fundamento da eficácia não é, primeiramente, técnicas e ferramentas, mas caráter. A única forma de realmente tomar as decisões corretas é, em primeiro lugar, ser o tipo certo de pessoa (Romanos 12: 1-2; 2 Pedro 1: 5-8).

Verdade: A verdadeira produtividade vem principalmente do caráter, e não da técnica.

Mito 3: Não é essencial considerar o que Deus tem a dizer sobre produtividade.

Eu não quero dar a entender que você tem que ser cristão para ser produtivo ou escrever sobre como ser produtivo. Muito disso está no reino da graça comum e temos muito a aprender com pessoas de todas as perspectivas.

O problema é pararmos aí. Por exemplo, frequentemente fazemos nosso planejamento como se fosse apenas outra atividade qualquer. No entanto, as Escrituras ensinam que fazer planos sem o reconhecimento de Deus não é apenas errado, mas arrogante (Tiago 4:13-17). Há coisas muito importantes que perdemos se não considerarmos seriamente o que Deus tem a dizer sobre estas questões.

Verdade: Não podemos ser verdadeiramente produtivos, a menos que toda a nossa atividade derive do amor a Deus e o reconhecimento de que ele é soberano sobre todos os nossos planos.

Mito 4: Não é essencial fazer o Evangelho central em nossa visão de produtividade.

O caminho para se tornar produtivo não é, antes de tudo, se esforçar mais – mesmo se o foco de nossos esforços for o desenvolvimento de nosso caráter. O verdadeiro poder por trás de nossa produtividade vem por percebermos que, por meio da fé no Evangelho, nós somos aceitos por Deus, em Cristo, independente do que fazemos. Isso faz soprar vento em nossas velas e desencadeia o poder do Espírito em nossas vidas (Gálatas 3:5).

Verdade: A única maneira de ser produtivo é perceber que você não tem de ser produtivo.

Mito 5: O caminho para ser produtivo é gerir a si mesmo (e os outros!) de maneira firme.

Às vezes, temos a noção de que, para concluírem suas atividades, as pessoas precisam ser ultra organizadas, com cronogramas restritos e inflexíveis. Mas nada poderia estar mais longe da verdade. Você será realmente mais produtivo não por procurar controlar a si mesmo de maneira firme, mas através da busca pela libertação. A melhor produtividade vem do compromisso, não do controle e da mera obediência. É por isso que trabalhar naquilo em que você é forte é algo tão importante. Além disso, esta abordagem para a produtividade resulta de um entendimento correto do Evangelho.

Verdade: A produtividade vem do compromisso, não do controle rígido. E, quando você está motivado, você não precisa se controlar rigidamente.

Mito 6: O objetivo do gerenciamento de tempo deve ser nossa paz de espírito.

A paz de espírito é algo bom, mas há algo muito mais importante. A razão pela qual devemos procurar ser produtivos é servir aos outros para a glória de Deus, e não pelo bem da paz pessoal e da nossa riqueza. Ironicamente, no entanto, a verdadeira paz de espírito resulta quando o bem dos outros, e não a nossa própria paz de espírito, é o primeiro objetivo.

Verdade: A produtividade é, em primeiro lugar, fazer o bem aos outros, para a glória de Deus.

Mito 7: O caminho para ter êxito é colocar-se em primeiro lugar.

Pensa-se frequentemente que o caminho para se ter sucesso é colocar-se em primeiro lugar e derrubar os outros. Acontece que isto não é só uma ética não-cristã, mas ela também não funciona. A maior tendência no mercado é, como Tim Sanders afirma, “a queda das barracudas, dos tubarões e das piranhas e a ascensão de pessoas agradáveis e inteligentes”.

Verdade: Você se torna mais produtivo colocando os outros em primeiro lugar, não a si mesmo.

Mito 8: Você terá paz de espírito se você estiver com tudo sob controle.

O problema é que isto nunca funciona, e não pode jamais funcionar. Simplesmente não é possível ter tudo sob controle e, portanto, a busca para basear sua a paz de espírito em sua capacidade de controlar tudo é inútil. Nossa paz de espírito deve ser baseada em um outro terreno, a saber, o Evangelho.

Verdade: Basear a sua paz de espírito em sua capacidade de controlar tudo nunca vai funcionar.

Mito 9: Listas de tarefas são suficientes.

Eu cometi este erro durante anos. Eu li “A arte de fazer acontecer” e criei todos os tipos de listas de tarefas, listas de projetos, e listas de “talvez, quem sabe um dia”. No entanto, eu raramente alcancei um estado de mente que a fizesse tranquila como “água parada”. Em vez disso, meu estado normal poderia ter sido descrito como “no meio de um tsunami”.

O que eu vim a perceber é que o tempo é como o espaço. Se nós não pensarmos em termos de uma programação básica e separarmos intervalos de tempo para nossos principais tipos de tarefas, acabaremos sobrecarregados.

Verdade: O tempo é como o espaço, e você precisa ver listas como um material de apoio para as suas zonas de atividade, não como suficientes em si mesmas para manter o controle do que você tem que fazer.

Mito 10: A produtividade é melhor definida por resultados tangíveis.

Muitas vezes pensamos em produtividade como sendo a realização de coisas concretas e tangíveis: e-mails enviados, widgets feitos e atividades concluídas. Essas coisas são importantes, mas não esgotam o âmbito da nossa produtividade. Cada vez mais a produtividade está nas coisas intangíveis, como no desenvolvimento de relações, conexões feitas e coisas aprendidas. Precisamos incorporar esse tipo de coisa em nossa definição de produtividade ou acabaremos nos enganando, pensando que sentar na nossa mesa por um determinado número de horas equivale a um dia produtivo.

Verdade: O maior valor vem de coisas intangíveis, não tangíveis.

Mito 11: O tempo que você gasta trabalhando é uma boa medida da sua produtividade.

Estar na sua mesa de trabalho não é o mesmo que ser produtivo, e as organizações não devem continuar medindo a produtividade de um empregado dessa forma. Ao mesmo tempo, outras coisas levam muito mais tempo do que você imagina: por vezes, a melhor maneira de ser produtivo é, na verdade, ser ineficiente.

Como corolário disso, prazos funcionam bem com tarefas de execução (o âmbito do gerenciamento pessoal). Mas eles não funcionam bem com tarefas criativas e com ambiguidade (o âmbito da liderança pessoal). Se você usar os prazos e o paradigma da eficiência nesse ponto, muitas vezes você matará a produtividade em vez de incentivá-la.

Verdade: É preciso medir a produtividade com base nos resultados, não no tempo de trabalho.

Mito 12: O sofrimento no seu trabalho significa necessariamente que suas prioridades estão desandando ou que você está fazendo algo errado.

Eu não estou sancionando a prática de fazer do trabalho um ídolo funcional, a quem sacrificamos tudo em nossas vidas. A verdadeira produtividade diz respeito a todas as áreas da nossa vida – trabalho, casa, comunidade, tudo – porque todas as áreas da nossa vida são chamados de Deus.

Dito isto, as pessoas que trabalham longas horas, muitas vezes, queixam-se bastante. O simples fato de que alguém está trabalhando muito não faz dessa pessoa uma workaholic (alguém viciado em trabalho). Algumas pessoas realmente gostam de seu trabalho e querem trabalhar muito. E isso não é, em si, um vício em trabalho. Além disso, às vezes este é o caminho que Deus colocou diante de nós. De onde tiramos a ideia de que as nossas vidas profissionais são, de alguma forma, isentas de sofrimento? Se você está sofrendo no seu trabalho e por causa dele, isto não significa necessariamente que você está pecando (ver 2 Coríntios 11: 23-29, onde Paulo inclui as noites sem dormir entre seus muitos sofrimentos).

Verdade: Vamos (às vezes) sofrer em nosso trabalho, e isso não é pecado.

Por: Matt Perman

Tradução: Thiago Holanda

Revisão: Hélio Sales, Felipe Prestes

Você pode ler o artigo original em inglês aqui.

Traduzido com autorização.

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