Equilibrando o tempo ministerial e familiar – Jason K. Allen

 

Como um pastor equilibra da maneira mais saudável possível o serviço ministerial com o tempo familiar? Esta tensão é sentida por todos os que servem a igreja e ela reside bem abaixo da superfície em muitas congregações. Infelizmente, muitos homens deixam o ministério por errarem de uma maneira ou de outra nesse equilíbrio, que é frequentemente tão delicado.

Alguns anos atrás, enquanto eu entrevistava um potencial membro de nossa equipe, fui golpeado novamente por essa tensão. A entrevista estava indo bem até que um membro da comissão perguntou sobre o papel que a esposa do candidato desempenharia no seu ministério. O jovem se tornou defensivo, insistindo que a igreja contratando a ele, não sua esposa. Este breve diálogo quase atropelou sua candidatura, e isso me deixou intrigado.

Nos meses anteriores, eu havia conhecido o casal pessoalmente. Ele era uma ótima pessoa, e sua esposa me pareceu dar total suporte ao seu marido. Na verdade, em muitos aspectos, eu os vi como um casal modelo, equilibrando bem ministério e família. Por isso fiquei surpreso com a resposta do jovem.

Depois de mais conversas, eu descobri que o casal não estava hesitando em doar-se à igreja. Ambos, marido e esposa, estavam desejosos de servir. Porém, ele havia sido treinado por outros ministros para proteger sua esposa – uma preocupação apropriada, que foi expressa de maneira inapropriada. Este cenário foi o indicativo de uma preocupação a longo prazo tanto ao pastor como também à igreja: como equilibramos corretamente o ministério e as expectativas familiares?

Um pêndulo oscilante

Na metade do século XX – durante o auge dos ministérios pragmáticos quando a igreja era dirigida por eventos – as igrejas priorizavam a presença pastoral. Em muitas igrejas, era esperado que o pastor fosse, praticamente, onipresente. O pastor zeloso estava sempre andando em hospitais, fazendo ligações para a casa de possíveis membros da igreja e presidindo todas as funções da igreja. Isso além de limitar o seu tempo na preparação de sermões, também comprometia a habilidade de liderar sua família.

Em suas formas mais excessivas, congregações esperavam que o seu pastor liderasse ministérios sempre crescentes, mesmo a custo de sua família. De fato, um dos pastores mais famosos do século 20 observou: “o homem tem de escolher. Ele pode ter uma grande família ou um grande ministério. Ele não pode ter os dois”.

Outras igrejas, com uma mentalidade mais voltada para o orçamento, podem esperar uma contratação do tipo “compre um e ganhe mais um grátis”. Se você contrata um homem como pastor, certamente sua esposa tocará piano, coordenará o berçário ou dirigirá o ministério de crianças de graça, certo?

Em outras palavras, o pêndulo precisa oscilar para o outro lado, e, felizmente, na maioria dos contextos ele tem oscilado. No entanto, às vezes eu temo que o pêndulo tenha oscilado demais em outra direção. Devemos proteger nossas famílias, mas não precisamos sequestrá-las. É difícil encontrar o equilíbrio, mas talvez esses cinco princípios possam ajudar.

Ministério é Vida sobre Vida

Devemos lembrar que ministério no Novo Testamento é a vida sobre vida. Para o apóstolo Paulo, a igreja não era um grupo distante a quem ele aparecia ocasionalmente. Eles eram sua família espiritual, com quem vivia e ministrava.

Frequentemente, o ministério mais frutífero é orgânico. Isso acontece quando os membros da igreja estão na sua casa, e você na deles. A frutificação máxima no ministério requer um engajamento de vida sobre vida – e, frequentemente, família sobre família. Simplesmente não existem atalhos.

Se a igreja é tão pesada a ponto de você sentir a necessidade de erguer barreiras entre a família de Deus e a sua, é provável que isso aponte para questões mais profundas em relação a sua família ou a deles.

Você e sua família são inseparáveis

O pastor não é um agente autônomo, contratado pela igreja sem levar em consideração a sua situação familiar. Se esse é o caso, a igreja só quer um clérigo para fornecer bens e serviços de capelania. A imagem do pastor no Novo Testamento é muito mais abrangente e robusta.

Embora a igreja não contrate nossa esposa e nossos filhos, é inteiramente apropriado que eles esperem que nós lideremos famílias bíblicas. Isso não significa nós devemos exibir perfeição, mas que venhamos a lidar com nossas imperfeições de maneira bíblica.

O fato é: se nossa casa não está em ordem, então todo o nosso ministério está ameaçado. Nossa família não pode estar inteiramente em ordem, a menos que estejam engajados ativamente na igreja local.

Você pode ministrar com sua família

Muitos das melhores lembranças em família que tenho tem sido no contexto do ministério, e muitas das minhas melhores lembranças ministeriais têm ocorrido com a minha família presente. Fiz mil visitas a hospitais, bati em centenas de portas e compartilhei o evangelho inúmeras vezes e todas com um ou dois dos meus filhos ao meu lado.

Ao longo dos anos, meus filhos me ouviram pregar centenas de sermões, presenciaram dezenas de cultos na capela dos seminários e participaram de inúmeros projetos de divulgação da igreja. Nós sempre procuramos fazer essas programações agradáveis, de modo que elas tornem o corpo de Cristo mais atraente para os nossos filhos, não menos.

Se realmente acreditamos na glória da igreja e do esplendor do chamado de Deus para o ministério, então isso não é algo do qual devemos proteger nossas famílias. Devemos expô-las a ele. Eu aprendi que, frequentemente, escolher entre a família e ministério é uma falsa escolha. Por que não os juntar?

Conheça sua esposa e filhos

O homem sábio está sempre observando, sempre aprendendo sobre sua esposa e filhos. Diferentes fases da vida, contextos ministeriais particulares e a capacidade mental da esposa do ministro em lidar com diferentes situações terão impacto sobre a participação deles. Se um período de sua vida está sendo particularmente desafiador, seja franco e fale à igreja claramente suas necessidades. Muito provavelmente eles entenderão.

Ao longo dos anos, minha esposa tem sido uma mulher maravilha, apoiadora resoluta do meu ministério. No entanto, há momentos – como quando nossas cinco crianças tinham cinco ou menos – isso exigiu muita energia e atenção em casa. Isso requereu que eu e os lugares onde eu estava servindo, entendessem.

 Você tem mais tempo do que pensa

Ao longo dos anos eu aprendi que temos mais tempo do que pensamos. Adrian Rogers lembrou aos pastores que quanto mais Deus faz crescer seu ministério, menos tempo você terá para si mesmo. Muitas vezes, a chave para dar ao nosso ministério e à nossa família mais tempo é dar menos a nós mesmos. Se você duvida disso, reflita sobre quanto tempo que você deu a mídias sociais, lazer, recreação, esportes, entretenimento, conversa fiada e várias outras distrações nesta última semana. Garanta que seu ministério e vida familiar ganhem, mesmo que você esteja perdendo.

Conclusão

Irmãos pastores, se uma igreja espera que nós ganhemos no ministério, enquanto perdemos em casa, estamos corretos ao recuar. Não negligenciemos nossas famílias, mas não vamos nos esconder atrás dela também. Nós podemos ter – na verdade, devemos ter – ministérios fortes e famílias fortes. E estejamos dispostos a morrer para nós mesmos, abandonando alguns dos nossos prazeres pessoais e privilégios, de modo que possamos alcançar isso.

 

Por: Jason K. Allen

Tradução: Thiago Holanda

Revisão: Hélio Sales, Felipe Prestes

Você pode ler o artigo original em inglês aqui.

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