Terminei o seminário, e agora? – Lance Olimb

O aspecto mais difícil do seminário não tem nada a ver com análise de verbos gregos do modo subjuntivo. Não era tentar acompanhar com todos os triângulos que John Frame magistralmente trabalhava no quadro branco. Honestamente, não era nem mesmo a tensão constante de alimentar uma família de 5, enquanto fazia 18 créditos, trabalhando em tempo parcial e estagiando (comemos muitos sanduíches de manteiga de amendoim e mel, que são altamente menosprezados, na minha opinião). Não, não, não. Não foi nada disso. Era a pergunta massiva no final deste túnel da graduação. A questão incômoda e em negrito que dizia: “E depois?”.

De alguma forma eu tinha esquecido essa sequência particular na equação. Por alguns anos, eu estava trabalhando em um programa de mestrado à distância, mas a necessidade de acelerar o meus estudos era evidente. Depois de servir por 9 anos, eu renunciei uma posição pastoral para buscar um mestrado no RTS (Reformed Theological Seminary) no campus de Orlando. Foi uma provação enorme para nossa família. E passamos muito tempo orando e nos preparando e, em seguida, trabalhando febrilmente durante o seminário, que de alguma forma eu esqueci que existe vida depois da graduação. Seis meses antes de atravessar a fase da Igreja de St. Andrews para receber o meu diploma, eu lembrei. Neste caso, ‘lembrar’ como sendo um eufemismo para fases alternativas de terror, stress, e relacionamentos frenéticos.

Comecei a bombardear igrejas com meu currículo como se fosse uma oferta da AOL na década de 90. Não muito tempo depois que as entrevistas começaram, eu percebi que eu precisaria de uma grade para a tomada de decisões. Como eu decidiria como o chamado de Deus se pareceria? Arrepios no fígado? Urim e Tumim? Ao longo desses meses, eu me concentrei em algumas áreas que serviram de guia de classificação. Estas são as questões que eu perguntei e respondi a mim mesmo para ajudar a determinar para onde eu poderia dar o próximo passo.

Primeiro: Que distinções teológicas são absolutamente inegociáveis para mim?

Esta questão foi, essencialmente, uma tentativa de restringir o escopo do ministério de toda a cristandade a um certo número de tribos que eu pudesse servir. Isto incluía, entre outros, a natureza de Deus, da igreja, do evangelho, da Escritura e da missão.

Fui ajudado neste ponto pela distinção entre aquilo que é a essência da Igreja e o que é importante, mas apenas para o bem estar da igreja (esse e bene esse em Latim e linguagem jurídica). A ideia é que eu deveria ser exigente sobre questões esse, mas gracioso e atento a Deus em áreas que sentia ser apenas bene esse. Isso requereu humildade para entender que eu nunca iria encontrar uma igreja onde tudo o que eu pensava que fosse o “melhor” seria colocado em prática. Mas me comprometi a recusar qualquer oportunidade em que algo essencial fosse comprometido.

Eu sei que esse é o ponto da história em que seria útil para alguém apenas dizer o que é “essencial” e que não é. Eu não quero fingir que a resposta para essa pergunta é simples. Não poderia estar mais longe do simples. Mas eu quero convidá-lo para o processo. A clareza e o discernimento ganhos na definição cuidadosa do que é inegociável vale toda as disputas existenciais e teológicas que você suporta.

Segundo: O que Deus me chamou para fazer?

Em outras palavras, como meus dons servem mais naturalmente a igreja local? Quero dizer aqui que muitas conversas que tive com homens, tanto dentro como fora do seminário, tendem para  uma abordagem de autoestima e autodescoberta para esta pergunta. Onde posso prosperar? Qual área do ministério faz minha alma cantar um cover do Josh Groban? Esse tipo de coisa. Isso não é o que quero dizer.

O que quero dizer começa com a pergunta: O que a igreja local precisa? O que, ou, em vez disso, quem é um pastor? E me permita dizer onde eu acredito que você deva começar se você está realmente fazendo esta pergunta. A igreja precisa de homens que lideram, sonham e ponham-se de pé semana após semana nos púlpitos e que querem realizar o casamento de um casal jovem para, em seguida, chorar junto com eles por conta da infertilidade. Se você está começando seu ministério com a ideia de que você vai servir a um nicho, associando um papel que utiliza um dom específico, eu acredito que você está começando no lugar errado. A igreja precisa de homens que terão prazer em assumir os custos de toda a operação e, em seguida, liderá-la em humildade e fidelidade durante anos. Comece com essa suposição e deixe o Espírito Santo refinar o chamado e a oportunidade a partir daí.

Terceiro: Posso comprometer-me com este trabalho a longo prazo?

Este poderia ser uma preferência pessoal, mas a minha esposa e eu realmente oramos para que Deus nos permita estabelecer em algum lugar a longo prazo. Eu acredito que uma abordagem de longo prazo se justifica quando se considera que uma grande analogia do reino é o plantio de sementes. Além disso, a melhor comparação para um crescimento cristão é botânico. Estas são gloriosas abordagens para o trabalho. Acredito que o melhor ministério é aquele onde você vê a lenta, inevitável e poderosa transformação das pessoas pelo evangelho ao longo do tempo. Perguntei-me: “Se Deus me levar para esse trabalho, poderei ficar e trabalhar com essas pessoas até a aposentadoria?”. Nem sempre é possível encontrar um combinação como este, mas eu acredito que isso nos leva a um princípio maior. Você será tentado a conseguir um emprego, não importa o quê. Embora cada situação seja diferente, você pode querer considerar apoiar a sua família de outras maneiras enquanto espera uma porta abrir. Seis meses atirando caixas na UPS (transportadora americana) é melhor do que negligenciar problemas sistêmicos por um salário ministerial. Não diga: “Bem, eu poderia ser o pastor de jovens por um ano, ou algo assim, mas não me vejo ficando mais que isso”.

Quarta: O que meus conselheiros pensam dessa oportunidade para mim?

Você tem que envolver as pessoas que você confia com algumas dessas informações. Você simplesmente não se conhece bem o suficiente para tomar essa decisão. Peça-lhes para avaliar os seus dons, abordagem no ministério e a probabilidade de que você iria servir bem em uma igreja em particular. Um momento definitivo para mim veio quando um mentor altamente respeitado disse que eu realmente deveria encontrar um lugar onde eu pudesse pregar e cuidar da alma das pessoas. Ele foi bastante enfático ao dizer que eu serviria melhor a igreja nesta competência. Seu conselho ajudou a esclarecer algumas oportunidades diferentes que eu estava considerando. E eu precisava de esclarecimento, porque eu amei várias opções diferentes, mas não tão boas, opções que estavam surgindo.

Finalmente, lembre-se de aplicar o evangelho. Você nunca terá motivos perfeitos. Você saberá o que você  “vale”. Você temerá falhar. Você temerá o que as pessoas pensam. E é possível começar a acreditar que o seu valor, esperança e identidade estão ligadas ao fato de se uma igreja legal em um lugar legal o contrata. É nesse momento que você repreende sua alma. “Você não é seu ministério. Você está aprovado, amado, buscado, perdoado, livre, rico e seguro em Cristo”. Este tipo de pregação é extremamente necessária e deve ser feroz e firme. Pratique este tipo de pregação. Você precisará dela em seu novo trabalho.

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Tradução: Thiago Holanda

Revisão: Hélio Sales

Você pode ver o original clicando aqui.

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